Ao invés de andarem pelo tique-toque, a emprenhar de ouvido certas e determinadas patranhas, alguns jovens deste país dariam o seu tempo por melhor empregue se se registassem na RTP Play e vissem como se vivia no “tempo da outra senhora”. Através de factos (registados para a posteridade pelo arquivo da RTP), não de opiniões.
Aspirar a algo que manifestamente não conhecem, pois nasceram em democracia, uma espécie de “Retrotopia” sem empirismo algum, eventualmente um pasticho ideológico colado com cuspo, só abona a favor da necedade duma parcela não despicienda desta geração (e, sejamos justos, também de alguns nostálgicos mais entrados na vida, douradores do retrato do regime salazarista).
Paradoxalmente, é hoje possível confrontarem-se com a história recente da nação – seja através da televisão, do mercado editorial não censurado (utilizando a biblioteca ou o cheque-livro), ou da internet, essa gruta de Aladino – e assim cotejarem o hoje com o ontem, que não viveram na pele.
Se devidamente elucidados, quem desejaria, a triplicar, para líder político, uma figura bafienta sem descendência nem mundividência, cujo timbre vocal apresenta dolorosas semelhanças a alguém de gónadas apertadas, vítima duma inocente brincadeira denominada “cantó-hino”?
Falta à sociedade onde vivemos muita coisa. Voltar atrás não é uma delas.

