
A máquina de fazer Claudias, por Rogério Casanova
A bajulação é uma propriedade quantificável. Três investigadores de Stanford publicaram na Science um estudo a medir o efeito: os modelos de linguagem validam os inputs dos interlocutores 49% mais do que os seres humanos, mesmo quando são absurdos, ineptos, ilegais ou objectivamente incorrectos. Aqui há tempos, o escritor lituano Jonas Ceika deu ao ChatGPT um ficheiro áudio com uma “composição musical” da sua autoria e pediu-lhe uma apreciação. O chatbot elogiou entusiasticamente a “vibe lo-fi”, “o minimalismo agradável” e “a consistência atmosférica”. O ficheiro consistia em 36 segundos de sons de flatulência.
Público
De quem é o tear?, por Graça Castanheira
Os luditas do século XIX não destruíram máquinas por ódio à tecnologia: destruíram-nas porque pertenciam aos patrões. Um tear nas mãos de quem tece é uma ferramenta; o mesmo tear nas mãos de quem compra o tempo de quem tece é um instrumento de subordinação. A máquina não muda — muda quem a possui. Foram, aliás, os vencedores, os industriais do progresso, que retrataram os luditas como reacionários. Convinha reduzir uma revolta sobre relações de produção a um medo irracional da novidade.
Público
Portugal necessita é de um “pacote patronal”, por Gonçalo Rodrigues
Quando uma empresa paga metade do salário por baixo da mesa, ou quando não emite factura de um serviço, o PIB oficial não capta a totalidade do valor gerado. As horas trabalhadas, essas, são contadas. O resultado é uma produtividade artificialmente rebaixada. E o trabalhador, que muitas vezes aceita estas práticas por falta de alternativas, acaba rotulado como menos eficiente, quando na verdade é vítima de um sistema que lucra com a sua invisibilidade.
Expresso
Why the Chinese are so much less scared of A.I., by Jacob Dreyer
The reality is that China and the United States are racing in different directions, because the two countries conceptualize A.I. very differently. Americans want to create the most powerful technology humans have ever known. In the quest for superintelligence, the U.S. government is encouraging private firms to move full speed ahead, regulation be damned. Under the very tightest regulation, by contrast, the Chinese want to make A.I. more practical and embedded in society, more carefully selecting how it is deployed and used by the population. If the Chinese achieve their A.I. goals, they may take a lead in the larger geopolitical contest between the two nations.
The New York Times
