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    18.05.2026

    O rutilante porvir, de Agapito Pescada

    Viva era a relva do jardim onde frondosas árvores protegiam os transeuntes do sol estival, propenso a alertas da protecção civil. A galope entrou um esguio galgo, perseguindo a bola atirada pelo dono. Rápido, deu várias voltas à pista, antes de se insinuar junto de um labrador pachorrento. A dona livrou-o da trela, dando início à canina brincadeira. Dono e dona entabularam então conversa, a propósito das “crias”. O adorável par de solteiros era o molde coevo da fertilidade dos trintões tardios: bem vestidos e perfumados, linho e algodão, bem formados, com pós-graduação em universidades estrangeiras, sem aspirar a relações estáveis ou compromissos duradouros. Limpos os dejectos, despediram-se cordialmente, ladrando. Afastaram-se, em direcção à extinção técnica programada da nacionalidade.

    excerto de O rutilante porvir, de Agapito Pescada (Alcagoita)

    Categoria: Livros
    Etiquetas: agapito pescada, surrealismo

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