• Metrópoles, de Ben Wilson

    A palavra “burguês” provém da palavra germânica burg, que significa fortaleza. Na Inglaterra do século X, Alfredo, o Grande, estabeleceu povoações fortificadas chamadas burhs para defesa contra ataques dos Vikings; foi a origem do termo “borough“, usado para as divisões administrativas municipais no Reino Unido, Austrália, Estados Unidos e outros lugares. Nas ilhas britânicas, lugares com nomes terminados em “-burgh“, “-bury“, “-borough” e “-brough” (como Edinburgh, Canterbury, Middlesbrough) recordam esse facto. O “bourg” francês tem a mesma origem (Strasbourg, Luxembourg) , tal como o borg escandinavo, o borgo italiano e o burgo ibérico. É possível que o termo “ghetto” derive de borghetto, italiano para “pequena cidade”. Estes nomes de lugares e a palavra “burguês” relembram o começo da urbanização na Europa contra um fundo de ataques nomádicos periódicos, conquistas e guerras. Todas têm raízes na ideia de defesa.

    Ser “burguês” na Idade Média significava viver num burgo (em qualquer língua); éramos definidos como habitantes urbanos, cidadãos de uma comunidade que se governava a si mesma, em vez de sermos camponeses comprometidos com um senhor feudal. A divisão entre urbano e rural, em termos de estilo e qualidade de vida, ocupação, oportunidades e liberdade pessoal, era, na Idade Média, bem marcada.

    Lübeck é o exemplo acabado desta nova forma de urbanização. Stadtluft macht frei: “o ar da cidade torna-nos livres”. Era assim que dizia o ditado na Alemanha da Idade Média. A frase tinha um peculiar significado legal; qualquer servo que residisse numa cidade durante um ano e um dia ficava automaticamente livre. Mas tinha também um significado mais geral. Lübeck já não estava sob o controlo de nobres, condes, duques hereditários, bispos ou reis e prosperou a partir de 1226, o ano em que se tornou uma Cidade Imperial Livre.

    excerto de Metrópoles: A história da cidade, a maior criação da civilização, de Ben Wilson (Desassossego)