• Revista de Imprensa

    Educar na complexidade. O legado de Edgar Morin, por António Teodoro

    Ao reler hoje Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro, percebe-se que Morin não oferecia receitas pedagógicas rápidas nem modelos administrativos de reforma. Propunha algo mais difícil: uma transformação da própria maneira de pensar a educação. Num mundo saturado de informação, acelerado pela tecnologia e frequentemente dominado pela lógica da competição, a sua obra continua a lembrar-nos que educar é, antes de tudo, formar seres humanos capazes de compreender a complexidade do mundo e de agir nele com responsabilidade, lucidez e solidariedade.

    Público

    A estupidez artificial, por Margarida Davim

    Como quase tudo no neoliberalismo, nada disto é um erro ou o produto de um acaso. E como quase sempre nesta era dos oligarcas tecnológicos, as intenções não estão ocultas. Já foram declaradas. “Vemos um futuro em que a inteligência é um produto de consumo, como a energia ou a água. E as pessoas vão comprá-la a empresas como a nossa para a usarem”, disse Sam Altman, CEO da OpenAI.


    Vou ignorar a forma como a “água”, um recurso essencial à vida, é posta nesta equação e concentrar-me na ideia de que vamos precisar de comprar inteligência. Quem é que precisa de comprar aquilo com que nasceu? A resposta é simples e testada com sucesso há décadas pelo capitalismo: criando uma nova necessidade. Mas como é que se cria a necessidade de “inteligência”? Garantindo que a que temos naturalmente não se desenvolve completamente ou, pelo menos, que não é desenvolvida em setores suficientemente grandes da população para ter um mercado.


    Basta pensar na frase de Sam Altman para perceber quão questionável é a utilização de IA nas salas de aula. A educação é inimiga dos objetivos estratégicos destas empresas. Tudo o que a OpenAI não quer são seres com pensamento crítico, capazes de desenvolver por si mesmos as tarefas intelectualmente mais exigentes e, já agora, as emocionalmente exigentes também, uma vez que eles querem igualmente vender-nos os tais “agentes” que tomarão conta da nossa vida amorosa, respondendo a mensagens, escritas talvez por outros “agentes”, num mundo em que já não se percebe bem quem namora quem, mas se sabe exatamente para onde é que vai o dinheiro gerado por todas essas interações.


    Para que este modelo de negócio funcione, é essencial criar humanos estúpidos. A Inteligência Artificial não tem o mesmo mercado sem uma boa dose de estupidez artificial. E talvez não seja por acaso que a grande contestação à ideia de que a IA é uma “inevitabilidade” esteja a desenvolver-se nas universidades. Nos últimos dias, houve vários protestos de universitários nos Estados Unidos e no Canadá contra conferencistas que foram apresentar esta tecnologia como parte “inevitável” do progresso. Numa das manifestações, em Vancouver, alguém exibia um cartaz com a frase “Usem o vosso cérebro”. E o Wall Street Journal escrevia: “A rebelião americana contra a IA está a ganhar vapor.”

    Visão

    A fábrica invisível do pensamento, por Miguel Sousa Soares

    Até agora, as grandes infraestruturas da civilização transportavam água, energia, mercadorias ou informação. A Inteligência Artificial acrescenta uma ambição mais estranha: industrializar a aparência de pensamento.

    Visão

    Transparência salarial: Portugal arrisca entrar em incumprimento, por Margarida Vaqueiro Lopes

    O problema é que a diretiva europeia devia ter sido transposta para a lei nacional – e os Estados-membros tiveram três anos para o fazer -, mas Portugal ainda não o fez. E uma vez que o prazo termina no próximo domingo, 7 de junho, parece ser certo que o país vai estar sujeito a coimas por parte da União Europeia.

    Segundo o legislador europeu, a transparência salarial nas empresas deverá dar aos trabalhadores a capacidades de ver cumpridos os seus direitos. Isto significa que os empregadores vão ser obrigados a disponibilizar algumas informações, sempre que forem solicitadas pelos funcionários. A saber: níveis médios de remuneração, discriminados por género para as categorias de trabalhadores com iguais funções; critérios utilizados para determinar o salário e também a forma de avaliar a progressão na carreira. Ou seja, a empresa fica agora sujeita a maior escrutínio sobre a forma como decide o que pagar a quem, tendo de justificar qualquer tipo de discriminação. O acesso a estes dados vai permitir perceber se há uma disparidade remuneratória superior a 5%. E, nos casos em que esta não possa ser justificada por critérios objetivos e neutros, quando estamos a falar de pessoas de género diferente, as empresas terão de tomar medidas ou ficam sujeitas a sanções.

    DN