
Independentemente da vaporosidade que envolve a definição de complot, é inegável que é próprio do relato “complotista” propôr uma visão geral do mundo que procura dar-lhe um sentido. Os teorizadores do complot encontram por detrás da aparente complexidade do mundo uma explicação simples, aquela de senhores escondidos que organizam o caos aparente. O “complotismo” permite aos seus adeptos retomar posse dum mundo que lhes escapa, de imputar a outros que não eles a origem dos males do mundo e encontrar respostas simples para questões complexas. No seu livro La condition post-moderne, editado em 1979, o filósofo Jean-François Lyotard anunciava o fim das “grandes metanarrativas modernas”. O declínio das ideologias, dos mitos nacionais, religiosos e revolucionários na realidade abriram passagem para estas novas grandes metanarrativas que são as teorias do complot e da conspiração. Na era das redes sociais, o “complotismo” fornece ao mundo um sentido não providenciado, à mesma escala, pelas ideologias, pelas religiões ou pelos mitos.
excerto de Propagande, la manipulation de masse dans le monde contemporain, de David Colon (Belin) - tradução selvagem feita por leitor improvável
