
A pertença ferida, por Elísio Macamo
Por isso, há uma ironia difícil de ignorar. Quando Portugal atravessou fronteiras, ocupou territórios e administrou vidas, isso foi narrado como história, missão, civilização, destino ou, mais tarde, tragédia. Quando africanos atravessam fronteiras em direcção a Portugal, o movimento pode ser lido, por alguns, como oportunismo ou ingratidão. Essa assimetria é intelectualmente reveladora. A mobilidade imperial foi universalismo e a mobilidade pós-colonial é inconveniência.
Público
Long-term slump in U.S. test scores persists, by BY CLAIRE CAIN MILLER, FRANCESCA PARIS AND SARAH MERVOSH
Something happened globally around the same time: the proliferation of devices, at home and in school.
Nearly half of American teenagers now say they are online “almost constantly,” compared with just under a quarter who said that a decade ago, according to Pew Research Center. Virtually all schools give children laptops or tablets in class, as early as kindergarten.
Few rigorous studies have teased out the role of devices in academic outcomes. Yet educators say there’s no question that swiping has decreased students’ focus and persistence, and time on devices has displaced time spent reading or studying. Far more teenagers — nearly one in three — now say they “never or hardly ever” read for fun.
In turn, schools expect less from students, assigning fewer whole books and simplifying the curriculum, said Carol Jago, associate director of the California Reading and Literature Project at the University of California, Los Angeles.
“There’s no other way, except volume, in order to become a really proficient, fluent, avid reader,” she said.
The New York Times
O mundo passou a estrutura da novela das seis, por Luís Pedro Nunes
A “decadência da civilização” começa por ser um modelo de negócio: não é declínio, é otimização racional. A estupidez é uma feature, não é um bug. A Netflix só conta uma visualização após dois minutos; no Spotify, os artistas só recebem royalties se o ouvinte ficar engajado pelo menos 30 segundos, o que alterou a estrutura de arranque de tudo o que é música: as intros passaram de 20 segundos para cinco. O jornalismo rendeu-se ao clickbait e os títulos anunciam o que o artigo vai dizer, porque partem do princípio de que o artigo não vai ser lido. O Expresso, por exemplo, tem agora um resumo em IA do próprio artigo. E na política há também um “protocolo Netflix”: os políticos populistas anunciam o que estão a fazer mesmo sem estarem no poder — “estamos a ganhar”, “vou construir o muro”, “vamos limpar Portugal” —, o conflito é resolvido nos primeiros cinco minutos de comício e depois há repetição obsessiva de plot points. Trump fala como quem está em segundo ecrã e precisa de captar a atenção. Ventura também. A democracia torna-se casual viewing — algo que se vê de soslaio, se chamar a atenção. A polarização tornou-se arquitetura de design do discurso político: vive no algoritmo e, quando é exercida ao vivo, sabe que tem de vencer o ecrã do telemóvel. Não estamos a ficar mais burros. Estamos a ficar cognitivamente otimizados para o segundo ecrã e atrofiados para o primeiro. Isto é uma tese otimista.
Expresso
Linha da Frente: Braço de Ferro
Em menos de 75 anos… Portugal pode perder mais 55 km2 para o mar.
Áreas que vão ficar de tal forma expostas a inundações… que podem mesmo desaparecer.
Até ao momento, o país já encolheu, em território continental, o equivalente à Ilha do Corvo ou ao município do Entroncamento: 14 km2
Com recuos de linha de costa que ultrapassam os 10 metros, por ano, acentuam-se os problemas num litoral onde se concentra mais de 80% da população
RTP Play
