
O uso diário do telemóvel para fins profissionais e não profissionais é mundialmente excessivo e assustador.
A dependência do telemóvel é em tudo semelhante a outras dependências (álcool, drogas, etc.).
O uso de telemóvel à noite atrasa o adormecer, tanto pela luz que este emite como pela adesão aos seus conteúdos (jogos, redes sociais, filmes, músicas, etc.) e ao acto de enviar/receber mensagens..
O uso prolongado do telemóvel tem consequências específicas para a saúde fisíca, designadamente oftalmológica e postural.
O tempo de ecrã associa-se a uma redução do sono ou insónia, baixa actividade física, más escolhas alimentares, aumento do risco metabólico em todas as idades (obesidade e diabetes tipo 2) e do risco cardiovascular nos adultos e idosos (hipertensão, problemas cardíacos e cerebrovasculares), comportamentos de risco e insucesso escolar em adolescentes, problemas de memória e cognitivos em adultos e idosos.
Os telemóveis actuais diferem da televisão por várias razões: 1) são posse de quem os usa; 2) a decisão sobre os conteúdos depende do utilizador; 3) são sistemas de comunicação móvel com as capacidades de um computador; 4) são relativamente baratos e, consequentemente, estão generalizados a todos os estratos sociais e idades.
Estas características tornam-nos num mundo em si próprios, em que se pode fazer “quase tudo”.
Esperava-se assim um aumento significativo da literacia e no conhecimento global da população mundial: efectivamente, em 2021, o índice global de literacia em indivíduos maiores de 15 anos era de 86,3% (evidenciando, contudo, diferenças entre géneros: 90,0% dos homens e 82,7% das mulheres).
Tudo parece perfeito, mas há dados discordantes e preocupantes.
O Q.I. médio da população mundial, que sempre aumentou desde o pós-guerra até ao final dos anos 90, diminuiu nos últimos vinte anos. Uma das possíveis causas é o empobrecimento progressivo da linguagem, a redução de vocábulos e subtilezas verbais, a linguagem sincopada dos telemóveis, os emojis, etc. Basicamente, sem linguagem complexa não há pensamentos complexos. Outra causa provável é a ausência de leitura por grandes franjas da população.
extracto de O meu sono e eu - Mitos e factos, de Teresa Paiva (Livros Horizonte)
