• Os perigos da percepção, de Bobby Duffy

    Inocular contra a ignorância

    Estamos a 12 de Abril de 1955, dez anos depois da morte do presidente Roosevelt, a mais famosa das vítimas da poliomielite. Estamos na Universidade do Michigan à espera de saber os resultados do teste do Dr. Jonas Salk à vacina contra a poliomielite.
    Na sala estão 500 pessoas, entre elas 150 da comunicação social, além de 16 câmaras de televisão, algumas delas transmitindo os resultados a 54 mil médicos sentados em cinemas por todo o país. As pessoas ouvem a reportagem na rádio, tanto nos EUA como no resto do mundo; os resultados são difundidos pelos altifalantes das lojas e os juízes suspenderam os julgamentos para que as pessoas possam ouvir. O especialista em vacinas Paul Offit escreveu:
    A apresentação foi maçadora, mas os resultados inequívocos a vacina funcionou. No interior do auditório, os americanos abraçaram-se, com lágrimas de felicidade nos olhos, […] os sinos repicaram por todo o pais, as fábricas cumpriram minutos de silêncio, nas sinagogas e igrejas as pessoas reuniram-se para rezar, pais e professores choraram. “Era como se tivesse acabado uma guerra”, comentou um observador.
    Salk recebeu uma medalha de ouro do presidente Eisenhower e, em 1985, Ronald Reagan proclamou o [dia 6 de Maio] o “Dia do Dr. Jonas Salk”. Ao não patentear a vacina, Salk assegurou o impacto da sua descoberta (e subsequentes aperfeiçoamentos). Inquirido sobre quem detinha a patente, respondeu: “Bom, eu diria que as pessoas. Não há patente. É possível patentear o sol?”.
    Avancemos a toda a velocidade até ao presente. O contraste entre estas cenas e a forma como são vistos por um sector da sociedade os que hoje em dia desenvolvem vacinas não podia ser mais gritante. Paul Offit é também o inventor da vacina contra o rotavirus, concebida para travar uma doença que mata 600 mil crianças por todo o mundo. É ainda o autor de Autism’s False Prophets e um defensor da segurança vacinal. Offit recebe regularmente cartas insultuosas e ameaças de morte.
    excerto de Os perigos da percepção, de Bobby Duffy (Zigurate)

  • O meu sono e eu – Mitos e factos, de Teresa Paiva

    O uso diário do telemóvel para fins profissionais e não profissionais é mundialmente excessivo e assustador.

    A dependência do telemóvel é em tudo semelhante a outras dependências (álcool, drogas, etc.).

    O uso de telemóvel à noite atrasa o adormecer, tanto pela luz que este emite como pela adesão aos seus conteúdos (jogos, redes sociais, filmes, músicas, etc.) e ao acto de enviar/receber mensagens..

    O uso prolongado do telemóvel tem consequências específicas para a saúde fisíca, designadamente oftalmológica e postural.

    O tempo de ecrã associa-se a uma redução do sono ou insónia, baixa actividade física, más escolhas alimentares, aumento do risco metabólico em todas as idades (obesidade e diabetes tipo 2) e do risco cardiovascular nos adultos e idosos (hipertensão, problemas cardíacos e cerebrovasculares), comportamentos de risco e insucesso escolar em adolescentes, problemas de memória e cognitivos em adultos e idosos.

    Os telemóveis actuais diferem da televisão por várias razões: 1) são posse de quem os usa; 2) a decisão sobre os conteúdos depende do utilizador; 3) são sistemas de comunicação móvel com as capacidades de um computador; 4) são relativamente baratos e, consequentemente, estão generalizados a todos os estratos sociais e idades.

    Estas características tornam-nos num mundo em si próprios, em que se pode fazer “quase tudo”.

    Esperava-se assim um aumento significativo da literacia e no conhecimento global da população mundial: efectivamente, em 2021, o índice global de literacia em indivíduos maiores de 15 anos era de 86,3% (evidenciando, contudo, diferenças entre géneros: 90,0% dos homens e 82,7% das mulheres).

    Tudo parece perfeito, mas há dados discordantes e preocupantes.

    O Q.I. médio da população mundial, que sempre aumentou desde o pós-guerra até ao final dos anos 90, diminuiu nos últimos vinte anos. Uma das possíveis causas é o empobrecimento progressivo da linguagem, a redução de vocábulos e subtilezas verbais, a linguagem sincopada dos telemóveis, os emojis, etc. Basicamente, sem linguagem complexa não há pensamentos complexos. Outra causa provável é a ausência de leitura por grandes franjas da população.

    extracto de O meu sono e eu - Mitos e factos, de Teresa Paiva (Livros Horizonte)

  • FUMAR faz BEM à sua saúde

    Este arquivo único conta um pedaço da história americana contemporânea, bem como da forma como se dá a volta à cabeça do consumidor

    A colecção Stanford Research into the Impact of Tobacco Advertising contém actualmente 62,553 anúncios ao tabaco. Descubra mais aqui