Stanley Milgram: I believe we are puppets with perception, with awareness. Sometimes we can see the strings. And perhaps our awareness is the first step in our liberation.
Stanley Milgram: Life can only be understood backwards, but it must be lived forwards.
Stanley Milgram: There was a time, I suspect, when men and women could give a fully human response to any situation, when we could be fully absorbed, in the world, as human beings, but more often now people don’t get to see the whole situation but only some small part of it. There’s a division of labour and people carry out small, narrow, specialised jobs and we can’t act without some sort of direction from on high. I call this the agentic state. The individual yields to authority and in doing so becomes alienated from his own actions. The agentic state is ‘store policy’, it’s ‘I’m just doing my job’, or ‘that’s not my job’, or ‘I don’t make the rules’, ‘we don’t do that here’. ‘just following orders’, ‘it’s the law’. In the agentic state the individual defines himself as an instrument carrying out the wishes of others – a soldier, a nurse, an administrator, an actor, a corporate employee, or even, yes, academics and artists.
B: Oh, é maravilhoso – especialmente a parte do fim, em que ele se afunda.
A (sarcasticamente): Oh, obrigadinho!
Aqui, a incongruência é simples: como é que alguém podia conhecer o Titanic sem saber do facto individual mais notável acerca dele? Talvez também sintamos um arrepio ligeiramente sádico ante o desconcerto do segundo orador, que, inadevertidamente, revelou o enredo do filme, bem como face à indignação do seu companheiro, divertidamente ignorante. O embaraço (pelo menos, o das outras pessoas) mistura prazer e dor. A propósito, a ignorância acerca do Titanic não se acha confinada às anedotas. Uma amiga minha, que trabalhava como guia no museu do Titanic em Belfast, deu por si a ser constantemente abordada por americanos intrigados, que não conseguiam perceber porque é que havia um museu dedicado a um filme.
O progenitor de um adolescente encontra-se mais cedo ou mais tarde neste lance lancinante: sabe que tem de estabelecer regras e estipular limites, mas não sabe muito bem quais, nem como, nem até quando. Sabe que tem de apoiar sem abandonar. Sabe que as regras que estabelecer terão de encorajar a autonomia e a responsabilização. Sabe que lhe exigem que controle o incontrolável. A perplexidade é ainda agravada por um estranho fenómeno geral: quem não tem adolescentes tem sempre, em compensação, imensos conselhos a dar. A educação, principalmente a dos filhos de outrem, é tarefa que se faz com uma perna às costas. São princípios universais, revirares de olhos e encolheres de ombros. Mas para quem se encontra no tal lance, a coisa pia mais fino. Partindo do princípio de que “educar” adolescentes se baseia em princípios contraditórios, isto é, o princípio do “controlo através do estabelecimento de regras” e o princípio da “autonomia”, o melhor é aplicar sempre a regra do controle até não se poder mais e só então aplicar a regra da autonomia; ou seja, aplica-se a regra da autonomia quando não se consegue aplicar a outra, em virtude da resistência, corpulência ou embirrância do adolescente. Em segundo lugar, e na impossibilidade de aplicar o controlo, o melhor é estabelecer limites que não possam humanamente ser ultrapassados: em vez de exigir ao adolescente que esteja em casa à meia-noite, põe-se-lhe os euros na mão e diz-se-lhe com autoridade :”Agora não te atrevas a aparecer-me em casa antes das oito da manhã, estás a ouvir? E vens bêbedo ou não entras!”. Para se ter a certeza de que a regra resulta mesmo, pode-se ir ainda um pouco mais longe e estabelecer que “nunca podes estar mais de uma semana sem dormir”. À quinta rave, quando o adolescente desorbitado se prepara para sair de casa de mochilaàs costas, o pai tirano (ou a mãe megera) barrando-lhe a porta, grita: “Daqui não passas! Estás há cento e sessenta e oito horas sem dormir! Enquanto viveres em minha casa, fazes como eu quero: dormes pelo menos uma vez por semana”. O adolescente não obedece, adormece. Sente-se, obviamente, e agudamente, a falta de uma instância de autoridade exterior absoluta; quando eles são pequeninos, a Polícia ainda funciona, por exemplo na questão da segurança rodoviária (“não te podes pendurar da janela do carro porque a Polícia não deixa!”), mas a Polícia, para os adolescentes, é até uma perspectiva excitante. Para não se ficar mal visto aos olhos do adolescente e continuar a ser um progenitor fixe e curtido, dá jeito invocar alguém ou alguma coisa. Claro que há sempre Nossa Senhora, mas não sei se pega. “Vou ao concerto e volto depois de amanhã!”, diz a menina de 14 anos. “Não podes!”, “Não posso, porquê?”. “Porque Nossa Senhora não deixa”. Vamos experimentar o mesmo, mas agora com a Polícia Marítima. “Vou ao concerto e volto depois de amanhã!”. “Não podes!”. “Não posso, porquê?”. “Porque a… Polícia Marítima não deixa…?”.
Parto sempre do princípio de que estes adolescentes são rapazes, porque o mesmo cacho de problemas com raparigas é algo de tão sofisticado que a minha mente simplesmente não abarca. Encontrei na estante, cheio de pó, coitado, um livro de um casal de psicólogos que criou cinco filhos (os psicólogos são pedra angular de toda esta equação). Lá dentro traz uns exercícios práticos para lidar com o “problema”. O primeiro exercício (que, aliás, não precisa de seguimento) consiste em aprender a relaxar os músculos. Quando o menino for malcriado, chegar tarde, desligar o telemóvel, e fizer tantas, tantas outras curiosas e engraçadas descobertas de coisas que nos põem fora de nós, ansiosos ou culpabilizados, dizem estes psicólogos que o progenitor deve sentar-se no sofá e começar a relaxar os músculos dos dedos dos pés, das pernas e por aí acima até chegar ao cerne do sistema nervoso central. Alcançado este objectivo superior, o progenitor deve imaginar, com o olho da sua mente, antes do mais, os vizinhos que têm os mesmos problemas, depois os outros bairros em que pais exasperados relaxam em sofás idênticos, e cada vez mais latamente, imaginar a cidade em que vive, a região, o país, e ir assim afastando-se, subindo às alturas serenas, em que planetas rolam desde sempre, e indiferentes, no silêncio das galáxias. E assim adormecem. Se não, parece que o Valium também é uma opção.
“A necessidade de comprovar a realidade e de engradecer a experiência através das fotografias é uma forma de consumismo estético a que todos nos entregamos. As sociedades industriais transformam os seus cidadãos em viciados de imagens; trata-se da mais irresistível forma de poluição mental. Um vivo desejo de beleza, de acabar com a investigação do que se encontra por baixo da superfície, da redenção e celebração do corpo do mundo – todos estes elementos da sensação erótica se afirmam com o prazer que as fotografias nos dão. Mas também aí se encontram outros sentimentos menos libertadores. Não seria errado falar de pessoas com uma compulsão para fotografar, transformando a própria experiência numa forma de visão. Em última análise, ter uma experiência é o mesmo que fotografá-la, e participar num acontecimento público é cada vez mais equivalente a vê-lo fotografado. Mallarmé, o mais lógico dos estetas do século XIX, disse que tudo o que existe no mundo existe para vir a acabar num livro. Hoje em dia, tudo o que existe, existe para acabar numa fotografia.”
excerto de Na caverna de Platão, primeiro ensaio encontrado em Ensaios sobre fotografia, de Susan Sontag (escrito nos anos setenta, bem antes das redes sociais)
Semi-semita, fui soprado pelas narinas com uma missão esquisita, não sabia desvendar. Sentia um peso, mas que não vinha de cima, uma coisa aqui de dentro, e custava a carregar.
Fui c’o João, da região. Jantámos gafanhotos no Jordão. E ele ensinou-me q’eu era o filho prometido e à noite fui comido por mosquitos a rezar.
Sou da mate´ria dos suspiros da Maria, sou as notas q’assobias, não te voltas a lembrar. Mas à noite quando durmo tenho frio, tenho fome e quem me viu decidiu ignorar.
Sou a palavra, a labareda larga, sou a piada q’inda não foi trabalhada. Eu sei, eu sei, que sou o filho prometido, mas ó pai eu não consigo saber onde começar .
Ó pai, Pai, em q’é q’eu falho?
Sou bom mineiro mas sou muito mau ourives. Sou-o desde o berço, desde o berço me aflige. Na escuridão encontro tudo o que é preciso, Mas as coisas q’ela diz eu desisto d’explicar.
Queres um milagre? Toma um milagre. Só acreditam quando vêem um milagre. Eu sou o reino, a raiz, o teu caminho, e preciso de um milagre pra um amigo acreditar.
Ó pai: Pai, em q’é q’eu falho?
Eu percebo em teoria Onde acaba o meu trabalho Eu percebo e não aprendo E em teoria nunca falho
Fui o primeiro a inventar o amor livre, e as sementes d’anarquia q’inda voam pelo ar. Mas por cada bem que crio, vem um mano com juízo q’é preciso institucionalizar.
Sou marciano, ou afro-ariano? Ninguém se lembra q’eu sou palestiano. Nem Isaías, nem tão pouco o Ezequias, sou aquele já sabias, mas não queres acreditar