• Bienvenue dans l’universe de la stupidité, de Serge Larivée

    La surprotection des étudiants, même à l’université

    En 2001, le ministre de l’Éducation de l’époque, François Legault, avaît lié le financement des universités aux résultats de contrats de performance, ce qui devait se traduire par une augmentation du nombre de diplômés à tous les échelons du cursus universitaire. Résultat de l’initiative: hausse des notes et baisse des exigences. Les “victimes” privilégiées de cette tendance sont les départements de sciences humaines et sociales et les Facultés d’éducation (Gagnon, 2001). Faut-il rappeler que les candidats en éducation dans les universités québécoises doivent réussir un examen de français obligatoire pour être admis dans les Facultés d’éducation, dont le taux d’échec est de 70 %. Qu’à cela ne tienne, les candidats peuvent le reprendre autant de fois que nécessaire. Le phénomène n’est pas nouveau. Dès les années 1990, on constatait dans les universités canadiennes la pauvreté des textes des étudiants. Plusieurs universités ont alors proposé des ateliers d’aide à l’écriture en vue d’améliorer la qualité des travaux.

    Mais ce n’est pas tout, le financement des universités est déterminé par le nombre d’étudiants inscrits. Évidemment, celles-ci ont du coup intérêt à accueillir le plus grand nombre d’étudiants possible, particulièrement dans les programmes non contingentés. Que la reprise d’un examen de reprise par un étudiant en échec soit dans certains cas justifiée, cela peut se comprendre. Toutefois, qu’une faculté d’éducation, mais située hors Québec, oblige ses professeurs à donner aux étudiants qui ont échoué un examen, un droit de reprise obligatoire est difficilement justifiable. Devant une telle obligation, quel professeur sain d’esprit osera mettre un étudiant en échec? Pourquoi, en effet, s’assigner du travail supplémentaire? Qu’il faille donner la “chance aux coureurs” j’en suis, mais tous ne peuvent pas gagner et le nivellement par le bas n’est pas une solution gagnante. Dit autrement, si tous peuvent avoir accès à l’université, cela ne signifie pas que tous doivent nécessairement être admis et en sortir avec un diplôme. La baisse des critères d’admission dans certains départements universitaires risque la présence d’étudiants qui ne devraient probablement pas y être.

    Quoiqu’il en soit, une fois inscrit à un programme universitaire, la direction a un intérêt financier à les garder dans le système. C’est dans cette optique qu’elle a instauré le règne de “l‘étudiant-client“, ce que Malo dénonçait déjà en 2002. Puisque par définition un client paie, celui-ci a son mot à dire quant aux services qu’il reçoit. Les professeurs sont alors confrontés à des “clients” et non à des personnes nécessairement soucieuses ou ayant le devoir d’acquérir des connaissances et des outils de réflexion. Par exemple, des étudiants se plaignent de la longueur des textes qu’ils ont à lire, lesquels, dans bien des cas, ne dépassent guère dix pages. Certains professeurs se soumettent alors à l’injonction en indiquant au “client” les paragraphes à lire. 

    extrait de Bienvenue dans l'universe de la stupidité, de Serge Larivée (Éditions JFD)

    Table des matières: ici

  • The Samoan lying on the beach and the Missionary

    MISSIONARY: Look at you! You’re just wasting your life away, lying around like that.

    SAMOAN: Why? What do you think I should be doing?

    MISSIONARY: Well, there are plenty of coconuts all around here. Why not dry some copra and sell it?

    SAMOAN: And why would I want to do that?

    MISSIONARY: You could make a lot of money. And with the money you make, you could get a drying machine, and dry copra faster, and make even more money.

    SAMOAN: Okay. And why would I want to do that?

    MISSIONARY: Well, you’d be rich. You could buy land, plant more trees, expand operations. At that point, you wouldn’t even have to do the physical work anymore, you could just hire a bunch of other people to do it for you.

    SAMOAN: Okay. And why would I want to do that?

    MISSIONARY: Well, eventually, with all that copra, land, machines, employees, with all that money—you could retire a very rich man. And then you wouldn’t have to do anything. You could just lie on the beach all day.

    excerpt from Debt: The First 5,000 Years, by David Graeber
  • Uma história simples, de Leonardo Sciascia

    Entretanto, o juiz levantara-se para receber o seu antigo professor.

    – Que prazer revê-lo passados tantos anos!

    – Tantos mesmo. E pesam-me – respondeu o professor.

    – Não diga isso. Não mudou nada.

    – Mas você, sim – disse o professor, com a sua habitual franqueza.

    – Este maldito trabalho… Mas porque me trata por você?

    – Como dantes – disse o professor.

    – Mas agora…

    – Não.

    – Mas lembra-se de mim?

    – Claro que me lembro.

    – Posso perguntar-lhe uma coisa?… Depois farei outras perguntas, de natureza diferente… Nas composições de italiano, o professor dava-me sempre um dois, porque eu copiava. Mas uma vez deu-me um três: porquê?

    – Porque copiou de um autor mais inteligente.

    O juiz desatou a rir.

    – Sempre fui mau em Italiano. Mas, como vê, não foi um grande problema. Cheguei até aqui: procurador da República…

    – Italiano não tem que ver com o italiano, tem que ver com a capacidade de pensar – disse o professor. – Com menos italiano, talvez tivesse chegado ainda mais longe.

    A piada foi dura. O juiz empalideceu. E deu início a um duro interrogatório.

    excerto de Uma história simples, de Leonardo Sciascia (Editorial Presença)
  • Everything, All the time, Everywhere, by Stuart Jeffries

    On the other hand, the post-modern birth of mass tourism through encouragement of the masses to fly may well hastening the death of the planet, not to mention banalising human experience by reducing nature, art and architecture to Instagrammables spectacles.

    excerpt of Everything, All the time, Everywhere - How we became Postmodern, be Stuart Jeffries (Verso Books)
  • O “sentido” do mundo sem sentido

    Independentemente da vaporosidade que envolve a definição de complot, é inegável que é próprio do relato “complotista” propôr uma visão geral do mundo que procura dar-lhe um sentido. Os teorizadores do complot encontram por detrás da aparente complexidade do mundo uma explicação simples, aquela de senhores escondidos que organizam o caos aparente. O “complotismo” permite aos seus adeptos retomar posse dum mundo que lhes escapa, de imputar a outros que não eles a origem dos males do mundo e encontrar respostas simples para questões complexas. No seu livro La condition post-moderne, editado em 1979, o filósofo Jean-François Lyotard anunciava o fim das “grandes metanarrativas modernas”. O declínio das ideologias, dos mitos nacionais, religiosos e revolucionários na realidade abriram passagem para estas novas grandes metanarrativas que são as teorias do complot e da conspiração. Na era das redes sociais, o “complotismo” fornece ao mundo um sentido não providenciado, à mesma escala, pelas ideologias, pelas religiões ou pelos mitos.

    excerto de Propagande, la manipulation de masse dans le monde contemporain, de David Colon (Belin)  - tradução selvagem feita por leitor improvável 
  • Os cus de Judas, de António Lobo Antunes

    De tempos a tempos chegavam visitas inesperadas ao cu de Judas: oficiais do Estado-Maior de Luanda, que o formol do ar condicionado conservava, quinquagenárias sul-africanas que beijavam os doentes em arroubos de cio da menopausa, duas atrizes de revista a agitarem a descompasso as pernas gordas num palco de mesas, acompanhadas por um acordeão exausto; jantaram na messe ao lado do comandante reluzente de orgulho, cuja timidez se embrulhava nos sorrisos de um adolescente em falta, enquanto o tenente da criada lhes cirandava em torno, farejando os decotes num êstase mudo. O capelão, contrito, descia as pálpebras virgens sobre o breviário da sopa.


    – Quarenta anos a acumular esperma — calculava o capitão idoso a medi-lo de longe. — Se aquele gajo se vier afoga-nos a todos na água benta dos tomates.

    excerto de Os cus de Judas, de António Lobo Antunes
  • O mundo da Escrita, de Martin Puchner

    Os bibliotecários  avisam que a melhor maneira de preservar a escrita das ocasionais guerras de formato do futuro é imprimindo tudo em papel. talvez devêssemos gravar  os nossos cânones na pedra, como fizeram os imperadores chineses. Mas a lição mais importante da história da literatura é que a única garantia de sobrevivência é o uso continuado: um texto tem de se manter suficientemente relevante para ser traduzido, transcrito, transcodificado e lido por cada geração, para que possa persistir ao longo do tempo. É a educação, e não a tecnologia, que assegurará o futuro da literatura.

    excerto de O mundo da Escrita, de Martin Puchner (Temas e Debates)