A democratização do acesso a meios de comunicação de massa, possibilitando a expressão e difusão da opinião de tudo por todos, trouxe à tona uma espécie de lobotomia colaborativa. O meio continua a ser a mensagem, mas hoje o meio é a multidão, a cacofonia. Para fazer passar a mensagem num mundo onde a atenção rareia, importa comprimir e simplificar ao máximo. Treinar modelos de Inteligência Artificial sobre conteúdos de qualidade duvidosa, no mínimo, tem o potencial para aprofundar uma tendência degenerativa das nossas capacidades cognitivas.
Quer enviar uma mensagem escrita, uma foto, um video, fazer uma chamada telefónica ou uma video-chamada. Provavelmente irá utilizar o WhatsApp, a aplicação de Instant Messaging (IM) mais popular no mundo inteiro.
Infelizmente, os utilizadores do WhatsApp só podem comunicar entre si.
Já imaginou ser cliente da Vodafone e só poder fazer chamadas telefónicas para outros clientes Vodafone? Ou ter uma conta de correio electrónico no Gmail e não poder enviar mails, por exemplo, para contas Outlook ou Hotmail? Parece ridículo, certo?
No caso do WhatsApp, não achamos isso porque o mercado de IM está muitissímo concentrado. Ridículo é não ter WhatsApp. The winner takes it all.
Sem um protocolo comum a garantir que todos podem falar com todos (interoperabilidade), como o SMTP (Simple Mail Transfer Protocol) no caso do correio electrónico, acabamos por ficar reféns das grandes plantaformas de Instant Messaging (IM). De caminho, entregamos-lhes um enorme poder e somas astronómicas de capital financeiro. Para além de gerar conteúdo gratuitamente para treino de modelos de IA. [A mesma crítica pode ser feita às redes sociais, também desprovidas de interoperabilidade.]
Isso é, parece-me, ainda mais ridículo.
E, nos tempos conturbados da nova geopolítica, contraproducente.
On the other hand, the post-modern birth of mass tourism through encouragement of the masses to fly may well hastening the death of the planet, not to mention banalising human experience by reducing nature, art and architecture to Instagrammables spectacles.
excerpt of Everything, All the time, Everywhere - How we became Postmodern, be Stuart Jeffries (Verso Books)