Khashdrahr stopped translating and frowned perplexedly. “Please, this average man, there is no equivalent in our language, I’m afraid”.
“You know”, said Halyard, “the ordinary man, like, well, anybody – these men working back on the bridge, the little man, not brilliant but good-hearted, plain, ordinary, everyday kind of person”.
Khashdrahr translated.
“Aha”, said the Shah, nodding, “Takaru“.
“What did he say?”
“Takaru“, said Khashdrahr. “Slave“.
“No Takaru”, said Halyard, speaking directly to the Shah. “Citizen“.
He grinned happily, “Takaru-Citizen, Citizen-Takaru“.
“No Takaru!”, said Halyard.
Khashdrahr shrugged. “In the Shah’s land there are only the Eliteand the Takaru“.
B: Oh, é maravilhoso – especialmente a parte do fim, em que ele se afunda.
A (sarcasticamente): Oh, obrigadinho!
Aqui, a incongruência é simples: como é que alguém podia conhecer o Titanic sem saber do facto individual mais notável acerca dele? Talvez também sintamos um arrepio ligeiramente sádico ante o desconcerto do segundo orador, que, inadevertidamente, revelou o enredo do filme, bem como face à indignação do seu companheiro, divertidamente ignorante. O embaraço (pelo menos, o das outras pessoas) mistura prazer e dor. A propósito, a ignorância acerca do Titanic não se acha confinada às anedotas. Uma amiga minha, que trabalhava como guia no museu do Titanic em Belfast, deu por si a ser constantemente abordada por americanos intrigados, que não conseguiam perceber porque é que havia um museu dedicado a um filme.
O progenitor de um adolescente encontra-se mais cedo ou mais tarde neste lance lancinante: sabe que tem de estabelecer regras e estipular limites, mas não sabe muito bem quais, nem como, nem até quando. Sabe que tem de apoiar sem abandonar. Sabe que as regras que estabelecer terão de encorajar a autonomia e a responsabilização. Sabe que lhe exigem que controle o incontrolável. A perplexidade é ainda agravada por um estranho fenómeno geral: quem não tem adolescentes tem sempre, em compensação, imensos conselhos a dar. A educação, principalmente a dos filhos de outrem, é tarefa que se faz com uma perna às costas. São princípios universais, revirares de olhos e encolheres de ombros. Mas para quem se encontra no tal lance, a coisa pia mais fino. Partindo do princípio de que “educar” adolescentes se baseia em princípios contraditórios, isto é, o princípio do “controlo através do estabelecimento de regras” e o princípio da “autonomia”, o melhor é aplicar sempre a regra do controle até não se poder mais e só então aplicar a regra da autonomia; ou seja, aplica-se a regra da autonomia quando não se consegue aplicar a outra, em virtude da resistência, corpulência ou embirrância do adolescente. Em segundo lugar, e na impossibilidade de aplicar o controlo, o melhor é estabelecer limites que não possam humanamente ser ultrapassados: em vez de exigir ao adolescente que esteja em casa à meia-noite, põe-se-lhe os euros na mão e diz-se-lhe com autoridade :”Agora não te atrevas a aparecer-me em casa antes das oito da manhã, estás a ouvir? E vens bêbedo ou não entras!”. Para se ter a certeza de que a regra resulta mesmo, pode-se ir ainda um pouco mais longe e estabelecer que “nunca podes estar mais de uma semana sem dormir”. À quinta rave, quando o adolescente desorbitado se prepara para sair de casa de mochilaàs costas, o pai tirano (ou a mãe megera) barrando-lhe a porta, grita: “Daqui não passas! Estás há cento e sessenta e oito horas sem dormir! Enquanto viveres em minha casa, fazes como eu quero: dormes pelo menos uma vez por semana”. O adolescente não obedece, adormece. Sente-se, obviamente, e agudamente, a falta de uma instância de autoridade exterior absoluta; quando eles são pequeninos, a Polícia ainda funciona, por exemplo na questão da segurança rodoviária (“não te podes pendurar da janela do carro porque a Polícia não deixa!”), mas a Polícia, para os adolescentes, é até uma perspectiva excitante. Para não se ficar mal visto aos olhos do adolescente e continuar a ser um progenitor fixe e curtido, dá jeito invocar alguém ou alguma coisa. Claro que há sempre Nossa Senhora, mas não sei se pega. “Vou ao concerto e volto depois de amanhã!”, diz a menina de 14 anos. “Não podes!”, “Não posso, porquê?”. “Porque Nossa Senhora não deixa”. Vamos experimentar o mesmo, mas agora com a Polícia Marítima. “Vou ao concerto e volto depois de amanhã!”. “Não podes!”. “Não posso, porquê?”. “Porque a… Polícia Marítima não deixa…?”.
Parto sempre do princípio de que estes adolescentes são rapazes, porque o mesmo cacho de problemas com raparigas é algo de tão sofisticado que a minha mente simplesmente não abarca. Encontrei na estante, cheio de pó, coitado, um livro de um casal de psicólogos que criou cinco filhos (os psicólogos são pedra angular de toda esta equação). Lá dentro traz uns exercícios práticos para lidar com o “problema”. O primeiro exercício (que, aliás, não precisa de seguimento) consiste em aprender a relaxar os músculos. Quando o menino for malcriado, chegar tarde, desligar o telemóvel, e fizer tantas, tantas outras curiosas e engraçadas descobertas de coisas que nos põem fora de nós, ansiosos ou culpabilizados, dizem estes psicólogos que o progenitor deve sentar-se no sofá e começar a relaxar os músculos dos dedos dos pés, das pernas e por aí acima até chegar ao cerne do sistema nervoso central. Alcançado este objectivo superior, o progenitor deve imaginar, com o olho da sua mente, antes do mais, os vizinhos que têm os mesmos problemas, depois os outros bairros em que pais exasperados relaxam em sofás idênticos, e cada vez mais latamente, imaginar a cidade em que vive, a região, o país, e ir assim afastando-se, subindo às alturas serenas, em que planetas rolam desde sempre, e indiferentes, no silêncio das galáxias. E assim adormecem. Se não, parece que o Valium também é uma opção.
MISSIONARY: Look at you! You’re just wasting your life away, lying around like that.
SAMOAN: Why? What do you think I should be doing?
MISSIONARY: Well, there are plenty of coconuts all around here. Why not dry some copra and sell it?
SAMOAN: And why would I want to do that?
MISSIONARY: You could make a lot of money. And with the money you make, you could get a drying machine, and dry copra faster, and make even more money.
SAMOAN: Okay. And why would I want to do that?
MISSIONARY: Well, you’d be rich. You could buy land, plant more trees, expand operations. At that point, you wouldn’t even have to do the physical work anymore, you could just hire a bunch of other people to do it for you.
SAMOAN: Okay. And why would I want to do that?
MISSIONARY: Well, eventually, with all that copra, land, machines, employees, with all that money—you could retire a very rich man. And then you wouldn’t have to do anything. You could just lie on the beach all day.
excerpt from Debt: The First 5,000 Years, by David Graeber
Um excelente naipe de actores interpreta na perfeição um argumento hilariante, composto por várias histórias paralelas que se entrelaçam. Amor, amizade, traição, inveja, nilismo, homosexualidade e política são colocados num shaker e servidos durante a festa de celebração privada duma nomeação política. O filme vai em crescendo de entropia, com cozinhados esturricados e relações abalroadas, até ao magistral desenlace final. (Clickar na imagem para ver o trailer)