Generally, polling ignores what people know about the subjects they are queried on. In a culture that is not obsessed with measuring and rankings, this omission would probably be regarded as bizarre. But let us imagine what we would think of opinion polls if the questions came in pairs, indicating what people “believe” and what they “know” about the subject. If I may make up some figures, let us suppose we read the following: “The latest poll indicates that 72 percent of the American public believes we should withdraw economic aid from Nicaragua. Of those who expressed this opinion, 28 percent thought Nicaragua was in central Asia, 18 percent thought it was an island near New Zealand, and 27.4 percent believed that Africans should help themselves,’ obviously confusing Nicaragua with Nigeria. Moreover, of those polled, 61.8 percent did not know that we give economic aid to Nicaragua, and 23 percent did not know what ‘economic aid’ means.” Were pollsters inclined to provide such information, the prestige and power of polling would be considerably reduced. Perhaps even congressmen, confronted by massive ignorance, would invest their own understandings with greater trust.
The fourth problem with polling is that it shifts the locus of responsibility between political leaders and their constituents. It is true enough that congressmen are supposed to represent the interests of their constituents. But it is also true that congressmen are expected to use their own judgment about what is in the public’s best interests. For this, they must consult their own experience and knowledge. Before the ascendance of polling, political leaders, though never indifferent to the opinions of their constituents, were largely judged on their capacity to make decisions based on such wisdom as they possessed; that is, political leaders were responsible for the decisions they made. With the refinement and extension of the polling process, they are under increasing pressure to forgo deciding anything for themselves and to defer to the opinions of the voters, no matter how ill-informed and shortsighted those opinions might be.
O capitalismo apropria-se da narrativa por meio do storytelling, ao mesmo tempo que a põe sob o jugo do consumo. O storytelling produz narrativas como formas de consumo e contribui para que os produtos venham associados a emoções. Os produtos prometem experiências extraordinárias. É desta forma que compramos, vendemos e consumimos narrativas e emoções. Stories sell. Storytelling is storyselling.
excerto de A crise da narração, de Byung Chul-Han (Relógio d'Água)
On the other hand, the post-modern birth of mass tourism through encouragement of the masses to fly may well hastening the death of the planet, not to mention banalising human experience by reducing nature, art and architecture to Instagrammables spectacles.
excerpt of Everything, All the time, Everywhere - How we became Postmodern, be Stuart Jeffries (Verso Books)
Independentemente da vaporosidade que envolve a definição de complot, é inegável que é próprio do relato “complotista” propôr uma visão geral do mundo que procura dar-lhe um sentido. Os teorizadores do complot encontram por detrás da aparente complexidade do mundo uma explicação simples, aquela de senhores escondidos que organizam o caos aparente. O “complotismo” permite aos seus adeptos retomar posse dum mundo que lhes escapa, de imputar a outros que não eles a origem dos males do mundo e encontrar respostas simples para questões complexas. No seu livro La condition post-moderne, editado em 1979, o filósofo Jean-François Lyotard anunciava o fim das “grandes metanarrativas modernas”. O declínio das ideologias, dos mitos nacionais, religiosos e revolucionários na realidade abriram passagem para estas novas grandes metanarrativas que são as teorias do complot e da conspiração. Na era das redes sociais, o “complotismo” fornece ao mundo um sentido não providenciado, à mesma escala, pelas ideologias, pelas religiões ou pelos mitos.
Devido ao anúncio televisivo ser a forma de comunicação pública singular mais proeminente na nossa sociedade, era inevitável que os americanos se acomodassem eles próprios à filosofia dos anúncios televisivos. Por “acomodar”, pretendo significar que nós o aceitamos como uma forma normal e plausível de discurso. Por “filosofia”, pretendo significar que o anúncio televisivo encerra em si certas assunções acerca da natureza da comunicação contrárias à de outros media, especialmente a palavra impressa. Para começar, o anúncio insiste numa brevidade de expressão sem precedentes. Até poderíamos dizer, instância. Um anúncio de sessenta segundos é prolixo; trinta segundos é mais longo do que a maioria; quinze a vinte segundos é a média. Esta é uma estrutura para comunicar desabrida e alarmante visto, como notado anteriormente, o anúncio atende às necessidades psicológicas do espectador. Por conseguinte não é apenas terapia. É terapia instantânea. De facto, apresenta uma teoria psicológica de axiomas únicos: o anúncio pede-nos para acreditar que todos os problemas têm solução, que são solucionados rapidamente, e que são solucionados rapidamente através das intervenções de tecnologia, técnicas e química. Isto é, obviamente, uma teoria absurda acerca das raízes do descontentamento, e parecerá assim a quem a ouvir ou ler. Mas um anúncio desdenha a exposição, pois leva tempo e convida ao argumento. Um anúncio é muito mau de facto se levar o espectador perguntar-se sobre a validade do ponto apresentado. É por isso que a maioria dos anúncios usam o dispositivo literário da pseudo parábola como forma de fazer o seu trabalho. Tais “parábolas” como “The ring around the colar”, “The Lost Traveler’s Checks” e “The Phone Call from the Son Far Away” não só têm um poder emocional irrefutável mas, como as parábolas bíblicas, são inequivocamente didáticas. O anúncio televisivo é acerca de produtos apenas no sentido em que a história de Jonas é acerca da anatomia de baleias, o que é mesmo que dizer, não é. O que é o mesmo que dizer mais, é acerca do modo como uma pessoa deve viver a sua vida. Adicionalmente, os anúncios têm a vantagem de utilizar símbolos visuais vívidos através dos quais podemos aprender mais facilmente as lições prestadas. Entre essas lições está que mensagens curtas e simples são preferíveis às longas e complexas; que a dramatização é preferível á exposição; que vender soluções é melhor do que confrontação com questões e problemas. Tais crenças têm naturalmente implicações na nossa orientação para com o discurso político; o que é o mesmo que dizer, poderemos começar a aceitar como normal certas assunções acerca do domínio político que ou derivam ou são amplificadas pelo anúncio televisivo. Por exemplo, uma pessoa que tenha visto um milhão de anúncios televisivos pode muito bem acreditar que todos os problemas políticos têm soluções rápidas através de medidas simples – ou deveriam ter. Ou que a linguagem complexa não deve ser confiável, e que todos os problemas deveriam prestar-se a uma expressão teatral. Ou que argumentar não é de bom tom, e apenas conduz a uma intolerável incerteza. Tal pessoa pode também começar a acreditar que não é necessário traçar qualquer linha entre a política e outras formas de vida social. Tal como o anúncio televisivo usa um atleta, um actor, um músico, um escritor, um cientista ou uma condessa para promover as virtudes de um produto fora dos seus domínios de conhecimento ou experiência, a televisão também liberta os políticos dos seus limitados domínios. Figuras políticas podem aparecer em qualquer lado, em qualquer hora, fazendo qualquer coisa, sem parecerem excêntricos, presunçosos, ou de algum modo deslocados. O que equivale a dizer, elas tornaram-se assimiladas na cultura televisiva geral como celebridades.
Amusing ourselves to death: Public discourse in the age of show business, de Neil Postman (Penguin) [tradução selvagem por leitor improvável]
***** fontes ligadas ao negócio dos livros confirmam a tradução em 2026, por um grande grupo editorial português *****